terça-feira, outubro 19, 2004

Carne Branca

Sangue e Lama conversam aqui
Em cima do chão do matadouro
O altar pagão é recriado
A voz silenciosa da GARGANTA
Cortada, rasgada, dilacerada
Em agonia muda grita: Salvação!
Enquanto a luz VIVA se dissipa
Uma sede febril se alivia

MEUS PASSOS são iluminados agora
Noite de lua vermelha e meia-sombra
Deixado para trás um só peito derrama
Perplexo e dolorido a essência de sua chama

Vida e morte no sangue que coagula
Junto às vísceras EXPOSTAS
Sem chances de cicatrizar
Embaixo do sinistro luar

Cinzas e sangue
Vapor e nuvens
Luz e LUA

Teu líquido, meu ungüento
...Maldita a hora em que te vi

Tênues vapores ensaiam sua dança
Os habitantes da carcaça ensaiam seu motim
Em ritmo profano se lançam às nuvens
Na tentativa devassa tentam dançar
Com os elegantes elementos ousam
Em furioso rodopiar embriagam
Sua alva inocência querem macular
Sim, aqui vemos
Divina obra a TOMBAR...

MORTE da carcaça semi-viva
No peito que alimentava as esperanças
AGONIA do amor satânico
Sua maldição, a minha cobrança
VOLÚPIA entre paredes úmidas
Te encherei com meu desespero

E pelo fio dessa adaga conseguirei
Alívio no paraíso descarnado

Enquanto eu procuro pelas cinzas
Vejo SALVAÇÃO na sua dor
É preciso que culpe alguém
Pelo licor desperdiçado,
O suplício não vai acabar
Dissipemos agora nossa FOME
Com sangue e luz das cinzas
Nesse banquete perverso aplaquemos
A sede de nossas gargantas secas


FVL

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