quarta-feira, julho 02, 2008

Sem Simetria

Se me perguntas hoje
Mudei?
Tenho tantas respostas
Tantas tristezas aqui
A chuva mudou?

Os neons noturnos cravam
Visões de uma noite
Que se foi, sempre caindo
E um marfim na calçada
É das minhas memórias
O mais irreal de tudo

Um brancor doido
Vivo
Chora um rio fora
E chora a corrente bela
Leva a teus olhos
E traz um antes de tudo

Não sofre aquilo que riu
Não se ri das memórias
Nem da chuva que caiu
O peito que se abre hoje
E os olhos que se fixam
Longe dos olhares teus

Fósforos alvos afiados
Cravam também fundo
A luz que mata a treva
Os olhos incisivos
A água dos momentos

E certo eu sei que é
Ninguém sabe onde parar
Essa vida do chão
Que a chuva leva devagar

Pelo neon e pela chuva
São carregados meus tormentos
E com tuas dores
Eu me contento



FVL

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