domingo, agosto 23, 2009

Sei que tenho a memória viva
De muitas horas, cheias de ti.
Mas meus dedos não alcançam
Nunca - tua pele clara

Ela vive em fragmentos aqui
Nas minhas lembranças - fora
Do tempo, espaço e realidades duras:
infinita, se repete em cascata

Verte íntegra de um topo concreto
Mas durante a queda, quebra
Vira vapor de gotículas mínimas
E volta para a corrente, rápida

Assim me vêm as memórias
Da tua pele, tão clara
Vivas como o cobre quente
Dos teus cabelos espalhados

Nos lençóis revoltos brancos
Em que acordas: nenhum tempo
Nenhum, governa meu olhar
Perdido nas tuas formas

Mas as horas passam reto,
E me arrancam dos teus olhares
Para mais perto das memórias
Minhas - mais longe das tuas horas.




FVL

Um comentário:

Anônimo disse...

Como nuvens que de um estado aparentemente estável se liquefazem ou ascendem e se dissipam em gotículas brilhantes ao toque do sol!?

Nuvens como punhados de algodão arbóreo, toscos em simetria, arquitetando a forma perfeita para um olhar que busca o limite da imensidão e se frustra prazerosamente.

Os cristais que deslizam ao toque do sol não impedem o olhar de percorrer o corpo de melanina inativa. Se convertem em formas mil, e assim a penugem alvo.


Belo trabalho o teu!
Pessoa