Um sonho da minha hora,
A mais escura de todas:
Um sonho negro como a alma
Dentro do corpo morto, inerte:
Vi o horror de olhos fixos
Na loucura que culpa feridas:
Olhos injetados de vontade rasgante,
Projetados num culpar furioso.
Vi essa vontade que não sabe parar,
Um remoer entre dentes gastos,
Culpa, censura, usura - implícitas.
Assim era a culpa do olhar,
A verter incessante sobre quem visse
O injetar constante de culpa nos olhos
Um pingar meticuloso de sal do mar
Na ferida aberta de uma vítima qualquer
Pois me culparam sem pensar muito
E na verdade não sei bem por que.
Tentei olhar de volta nesses olhos
E não encontrei mar para navegar.
De loucura por culpar eram tão injetados,
O foco faltava, raivosos, tremiam por tudo.
Quem chorava um soluçar surdo não entendia
Palavra, gesto ou vento soprado no ouvido:
E na inexistência de minha culpa
Pensei ridículo esse gotejar
FVL
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