Pregado no torpor do sono flutuo sobre o mar,
Pálpebras fechadas para as nuvens negras,
Olhos revirados rumo ao centro do meu ser.
O movimento das ondas talvez fosse um embalo,
E o embalo talvez um arrefecer dos sentidos,
Mas os sentidos são perfurados por pregos compridos,
Cada um com nove polegadas de fixação, doloridos.
Anoitece sobre o oceano um manto roto,
Feito de escuridão líquida, transbordante.
A noite é chuva torrencial de petróleo morto
E pesadas gotas pregam meus olhos fechados
Dentro de invólucro existencial, meu esquife
À deriva abrem-se portas no centro da nuca
E olhos sedentos cravam vorazes para fora,
Tateiam a revirar a profundeza projetada
O abismo negro abaixo de meu Eu.
Embalados pelo revolver do mar enxergam
No fundo de trevas aparentemente imóveis
O sonho do Adormecido Inominável, paciente,
Desdobra a realidade aparente das coisas
Um rio negro abaixo da superfície líquida
Aguarda, imóvel, seu despertar inadiável.
FVL
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