Corre à minha frente, dourado como o amanhã,
O carro da última hora e anoitecer final,
Em seu encalço voam Fúrias apavoradas,
Temerosas da noite veloz, devoradas
Pouco a pouco, por presas desconhecidas:
Dentes nas trevas miram a escuridão
Dentes de trevas tecem a escuridão
Dentes de trevas descem na escuridão.
Paira à minha frente a primeira mãe tecelã,
A única visão do anoitecer espiral.
Em seu ventre vasto giram in stasis
Universos entrelaçados, já prenhes ao fecundar
O último vôo do amanhã dourado,
O raiar do amor no horizonte novo.
E Negra nasceu a manhã.
FVL
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