segunda-feira, abril 04, 2011

Sol a pino no deserto do existir,
Suspensa no tempo, a multidão aguarda.
No meio da ponte, a travessia é retida,
Um dedo apontou para o outro lado,
E as cabeças de líderes pretéritos,
Servidas em travessas douradas,
Exibiam um esgar satisfeito.
Um argumento pontual e irrefutável:
Atravessar é ter a cabeça num prato.
Mas a voz da sede é forte,
E um dedo comanda.
Importante é superar os dedos passados,
Todos querem ser dedo apontado,
Cada um na sua vez.
Quem aponta é sempre líder,
Mesmo que seja de gado à míngua.
Agora o Talvez domina a boiada,
Sonhos de travessia encantam a todos.
Talvez depois da ponte, um paraíso.
Talvez a ponte leve à paz.
Talvez depois, uma saída do deserto.
Talvez a paz seja uma ponte.
Além do abismo do existir, talvez,
O que odeiam em si mesmos
Afogue-se num riacho-criação.
Quem sabe seja essa a última
Esperança, de quem é acostumado
A ter areia nos olhos, resignado,
E uma aridez no espírito.

À beira da travessia última,
Livres em seu ódio,
Esperaram todos na ponta,
Pacientes em seu ódio,
Certos de serem escolhidos
Para o dia da revelação,
Ansiosos em seu ódio,
Por um copo de água.




FVL

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