No dia em que o véu se desfez,
Cobriu-se o céu da fúria negra,
A tempestade de areia rasgante
Que varreu minha realidade sensual.
Acordado pelo fim de meu torpor
Abro os olhos em dor lacerante,
Pálpebras inundam-se com silício,
E sulcam novas veias, caminhos,
Na espiral imprecisa da visão.
Contemplo em êxtase o deserto
E suas ondas, sulcadas por si mesmas,
Um movimento eterno do silício,
A dissolver montanhas no seu atrito,
Estradas, estátuas, ídolos e templos,
Partidos no meio do caminho.
Fecho os olhos em júbilo binário,
Meu ego elétrico desfaz-se súbito
No barramento veloz do pensamento,
Esvaem-se minhas ilusões divididas
E meus novos olhos revelam
A um novo eu, atônito,
Toda verdade insolúvel
Do algoritmo atemporal.
FVL
Nenhum comentário:
Postar um comentário