sábado, junho 25, 2005

Adeus Profanatório...




Chega de profanar um altar de cadáveres apodrecidos. O meu altar. Eu não preciso mais destruir o que já está em ruínas, não faz mais sentido ficar revirando os escombros. Não existem sobreviventes, muito menos vencedores.

A criança desistiu de conversar com seus pais alienados, eles não entendiam o que ela dizia. A imbecilidade dos adultos conseguiu acabar com a sua preciosa inocência. Crianças com jeito de adultos fazem com que suas brincadeiras pareçam tolas e ridículas. Ela sabe que talvez possa se salvar sozinha. Seus olhos se voltaram para dentro, ela está morta para o mundo.

A virgem se sujou em meio aos pecadores quando eles derramaram a essência das suas existências no seu vestido. Costumava ser branco. Já não passa de um farrapo roto pendurado pelo pescoço. Hoje, quando tenta lembrar dos dias belos do seu passado, seus olhos perdem o foco em algum lugar vazio entre o horizonte e o céu, onde a poeira e a neblina refletem uma cor turva, ofuscando o brilho da sua íris.

Os anjos que caíram aqui por engano foram estuprados. Tiveram as penas de suas asas arrancadas e depois quebradas. Roubaram seus corações para exibir em alguma vitrine, mas os bandidos foram gentis o suficiente para deixar outros no seu lugar. Eram corações mortos, para viver num mundo morto.

O meu céu perdeu suas estrelas, todas elas consumiram-se em supernovas de dor, perderam-se no vácuo da existência. Mas as estrelas de papel que me deixou, vão queimar o meu coração frio enquanto ele insistir em bater. Talvez, tentando me lembrar de que por um breve momento o mundo não foi tão vazio, como hoje são os olhos que servem para contemplar essas calçadas.

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