Vivam, meus amigos, e perdoem os erros
Daquele que não pode mais viver como vocês
Daquele que mata os que ama para sobreviver
E regozija-se ao lembrar que enquanto foi vivo
Foi belo e puro, à maneira da música das esferas
Lembrem-se daquele que matou a sua vida
Para que seus pés continuassem a se mover
Mata, incessantemente, impiedosamente
Apenas para poder lembrar que um dia foi também
Amado e adorado, mais intensamente do que hoje
Não julguem aquele que destrói a beleza de hoje
Apenas quer acreditar que ela ainda voltará a nascer
Precisa lembrar que a Fortuna gira e o que morre
Precisa voltar a renascer para sempre, sempre
Que a água que verteu copiosamente de sua fronte
Encontrará o caminho do mar e seu curso novamente
A beleza, meus amigos, salvará o mundo ainda
Saibam que aquele que mata a beleza hoje
Quer apenas que ela retorne amanhã
Saibam que a beleza da morte reivindica
O direito da transfiguração em uma nova vida
A dor daquele que mata nunca será extinta
A dor daquele que erra em busca da beleza
A dor daquele que renuncia a si mesmo
A dor daquele verá o mundo com olhos de criança novamente
Não quer encontrar paz nos braços da morte
Sim! Antes dor nos braços da vida!
FVL
19/08/2005
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