Nos olhos uma fome
E no olhar uma pergunta:
É como ver todas pessoas
De súbito, transformadas,
Em latas de atum verde,
Quiçá sardinhas, azuis.
Feições que se desfiguram,
Carnes se metalizam duras.
E o olhar pergunta, curioso:
Que tem aí dentro?
Todas latas têm atum?
Sardinha cabe em lata?
Mas os olhos não têm dedos,
Não alcançam o abridor.
A curiosidade continua faminta,
E as latas fechadas.
FVL
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