Palmeira de dez metros, junto ao pinheiro de vinte, provavelmente. Ambos na semi-luz da quase-escuridão. Balançam lentamente com sua enorme massa. Lentamente. Quase mortos. Do alto do morro, ao longe, uma cruz e sua luz, insistentes a brilhar. Grande distância nos separa. E há um mar de coisas para preencher esse espaço.
Inúmeras luzes se erguem do leito do vale, mas nenhuma tão alta, quanto essa estranha cruz. Branca luz.
Poderosa torre de concreto, no meio desse mar. Ergue-se alta, com superforça, espalhando suas ondas mais rápido que o vento, infinito conhecimento e energia de supernova do novo milênio. Antena. De luz vermelho-fraca, estrela moribunda. Sem luz para iluminar. Nem perto da cruz conseguiu chegar.
Montanha longínqua, eterna e serena, mas impotente. Parece observar. De nenhuma luz ela precisa, muito menos faz questão. Talvez a lamentar. Tem o poder da rocha e da avalanche, todos para desmanchar. Mas só para quem tentar se aproximar... E continua lá, sempre a observar. Será que contempla o vale e seu mar de luzes? Talvez olhe para as árvores semi-vivas, aqui e lá? Ou será a cruz, brilhante, iluminante, cintilante que insiste em clarear? Para quem olha a montanha... Coisa difícil de adivinhar...
Fernando Vieira Lazzarin
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