quarta-feira, julho 28, 2004

Vazio Diante Do Nada

Sozinha em seu quarto ela senta. Sobre sua cama, nada além dos travesseiros e lençóis, confidentes de longo tempo. Despida de suas roupas e da máscara da sua vida, ela se olha novamente no espelho. Procura por algo perdido há muito tempo, sem saber ao certo o que quer achar.

Os anos passados na beira do mediterrâneo? Os amores despedaçados pela insensatez? A insipidez de sua vida nos hospitais? Quando se sentirá à vontade para falar o que sente? Já amou realmente alguém? No meio de lembranças de sua vida e de questionamentos tão antigos, mas presentes ainda, ela permanece calada. Queria ter vontade de chorar, mas sua fonte já secou.

O calor dessa tarde de verão não é suficiente para aquecê-la por dentro. E talvez nenhuma calor seja suficiente para revivê-la. Está cinza, circundado pelo frio glacial.

Os gritos desesperados de alguém, logo abaixo da sua janela se misturam como estática do rádio aos seus pensamentos. Distantes demais para impedir o veneno de cumprir o seu destino. Fria demais para querer o antídoto. Sequer uma lágrima caiu para o desconsolado.

Fernando Vieira Lazzarin


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